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O Sistema Solar – O Nascimento do Sistema Solar

sexta-feira, 1 janeiro 2010 13 comentários

Introdução

Desde a infância sabemos algo sobre o Sistema Solar, onde fica o nosso Planeta Terra. Mas até onde o conhecemos de fato, e até onde o que ouvimos sobre ele é verdade? Muitas estórias que ouvimos na infância não estão de acordo com a realidade dos fatos: Estrelas Cadentes não são Estrelas de fato, por exemplo, e o Sol não é uma das maiores Estrelas de nossa Galáxia – muito pelo contrário, ele é uma das mais comuns.

Muitos sequer conhecem a estrutura básica de nosso Sistema Solar, que nos possibilita a vida e, até hoje em dia, é o único local conhecido a abrigar vida de fato, aqui na Terra, e o único local que está em condições de abrigar vida, mesmo que microbiana, como em Marte, Europa e Titã.

Este artigo abordará toda a Astrofísica do Sistema Solar: quando e como surgiu, porque tem a configuração que tem, quais são os seus componentes, qual a sua estrutura, qual o seu destino?

Para tanto dividirei o artigo em algumas partes, que serão organizadas da seguinte forma: 1- O nascimento do Sistema Solar (tratando sobre quando e como ele surgiu e se estruturou); 2- O Sol (contendo dados sobre ele, bem como problemas em aberto, como o da Corona Solar Superaquecida); 3- Os Planetas Internos (contendo uma descrição de todos os Planetas Rochosos); 4- O Cinturão de Kuiper (tratando sobre Asteróides); 5- Os Planetas Internos (contendo detalhes sobre os Planetas Gasosos); 6- Planetas Anões, Nuvem de Oort e além (tratando sobre Planetas Anões, Cometas e sobre as fronteiras do nosso Sistema Solar).

A Estrutura do Sistema Solar

O Sistema Solar, como o próprio nome diz, é um Sistema Físico onde o Sol, nossa Estrela, é não só o centro desse Sistema, mas também o responsável por manter todo ele coeso e unido: sem a imensa Força Gravitacional do Sol não haveria órbitas, por exemplo: os Planetas, Asteróides e Cometas que compõem o Sistema Solar simplesmente seguiriam em linha reta indefinidamente, ou até serem aprisionados por algum corpo celeste com Gravidade suficientemente forte. O tamanho do Sistema Solar depende de qual referência usamos: caso for em termos de até onde a Força Gravitacional do Sol é influente, então podemos ter uma aproximação de cerca de 150.000 U.A – 1 U.A equivale a 150 milhões de quilômetros –, ou 2 Anos-Luz – Ano-Luz não é uma medida temporal, mas métrica: é a distância em que a luz, viajando a 300.000 km/s (ou c) leva um ou quantos anos for especificado pelo número precedente para percorrer. Caso seja escolhida a Nuvem de Oort, então teremos um resultado de cerca de 50.000 U.A. As Sondas Voyager 1 e 2 e Pioneer 10 e 11 já estão se aproximando das fronteiras finais do nosso Sistema Solar, pois estão no final da Heliosfera dele.

Depois do Sol temos os oito Planetas: na parte interna do Sistema, ou seja, na parte mais próxima do Sol, temos os quatro Planetas Rochosos: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Na parte externa, mais afastada, temos os quatro Planetas Gasosos: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Havia, também, outro objeto, que por muito tempo foi considerado um Planeta: Plutão. No entanto, após uma análise prolongada e cuidadosa chegou-se à conclusão de que suas características eram de um Planeta Anão, tais como não ter “limpado” sua órbita. Planetas Anões não devem ser confundidos com Cometas, Asteróides ou Satélites – estes últimos têm características bem diversas, que lhes são próprias. Atualmente estão plenamente identificados como tais 5 Planetas Anões: Ceres, Plutão, Haumea, Makemake e Éris, sendo que, destes, Ceres está próximo dos Planetas Internos, entre Marte e Júpiter, no Cinturão de Kuiper; os demais estão além da órbita de Netuno, no que chamamos de Disco Disperso.

Entre os Planetas Internos e Externos há uma espécie de fronteira, que chamamos de Cinturão de Kuiper, nome dado em homenagem ao Astrônomo Gerard Kuiper: basicamente ali se concentram os milhões de Asteróides do nosso Sistema. Ali, além de Ceres, um Planeta Anão, estão alguns objetos muito famosos, como 4 Vesta, 2 Palas 3 Juno e 10 Hygiea. 4 Vesta é o segundo Asteróide mais massivo, com um diâmetro de cerca de 530 km; 2 Palas tem um diâmetro de cerca de 530-565 km, mas é 20% menos massivo que 4 Vesta; 3 Juno foi o terceiro Asteróide descoberto, em 1 de Setembro de 1804; 10 Hygiea tem um diâmetro de cerca de 350-500 km, sendo o quarto maior objeto na região.

Além dos Planetas e Planetas Anões Externo existe o que chamamos de Nuvem de Oort, nome dado em homenagem ao Astrônomo Jan Oort: uma espécie de Nuvem esférica: basicamente é uma região onde abundam trilhões de Cometas, todos com órbitas em torno do Sol, obviamente. Alguns dos objetos mais famosos dessa região são Sedna e 1P/Halley. Sedna é um possível candidato à Planeta Anão; Halley é seguramente o Cometa mais famoso da História e seu período orbital é de 76 anos.

Os objetos do Disco Disperso e da Nuvem de Oort são comumente chamados de Objetos Trans-Netunianos (em Inglês: TNO – Trans-Neptunian Objects).

Origem do Sistema Solar

O Sistema Solar surgiu há cerca de 4.5-4.6 bilhões de anos: é o que nos revela com absoluta precisão algumas técnicas Geológicas e Astronômicas, como a Datação Radiométrica.

Havia por aqui uma Nuvem Molecular Gigante, composta basicamente por Hidrogênio, que acabou colapsando gravitacionalmente devido a ondas de choque. Essas Nuvens têm um diâmetro de até 100 Anos-Luz (9.5 \times 10^{14} km), massa altíssima, da ordem M \approx 6.000.000 M_\odot , em oposição a uma densidade muito baixa, da ordem p \approx 100P/cm^3 , onde P são as partículas; a temperatura inicial delas também é baixa, da ordem de 10K.

Após o colapso gravitacional – que analisaremos em um artigo específico – a Nuvem passou a rotacionar, se contraiu e fragmentou: em seu centro formou-se uma Proto-Estrela, e em suas bordas Proto-planetas. A Proto-Estrela, com o passar do tempo, foi ganhando temperatura e luminosidade, até que, em dado momento, tendo a massa inicial necessária – cerca de M = 8 M_\odot –, começou a produzir energia via Fusão Nuclear e entrou na fase da Evolução Estelar que denominamos Seqüência Principal. Por essa época os Proto-Planetas também completaram sua evolução inicial e tornaram-se Planetas de fato.

No entanto, sobre este ponto, convém solucionar uma curiosidade: o porquê de o nosso Sistema Solar ser configurado da forma como ele é, ou seja, Corpo Gasoso (o Sol) \rightarrow Corpos Rochosos (Planetas Internos) \rightarrow Corpos Gasosos (Planetas Externos). Na fase Pré Seqüência Principal o Proto-Sistema Solar tinha diversas temperaturas: quanto mais próximo da Proto-Estrela mais quente, de modo que, na parte externa do disco de acresção criado em torno dela a temperatura orçava em torno de 400K, ao passo que na parte interna a temperatura era de cerca de 1000K. Isto fez com que as partículas não-metálicas – em Astronomia qualquer partícula mais pesada que o Hélio é considerada “metal” –, que têm um uma temperatura de ebulição menor do que as partículas metálicas caíssem em direção à Proto-Estrela, tornando a parte interna do disco de acresção predominantemente composta por partículas metálicas. Usando uma analogia imprecisa podemos dizer que isso acabou criando como que um escudo que impediu as partículas não-metálicas que estavam na borda externa de caírem também rumo à Proto-Estrela. Ora, quando a evolução inicial do Sistema Solar estava findada e ele havia entrado, junto com o Sol, na fase Seqüência Principal, tivemos a consolidação desse Sistema interessante, no qual entre dois montes de corpos predominantemente Gasosos há, também, um conjunto de corpos predominantemente Rochosos.

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