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O Sistema Solar – O Sol

domingo, 17 janeiro 2010 Deixe um comentário

Origens do Sol

O Sol, como vimos na postagem anterior, surgiu do colapso gravitacional de uma Nuvem Interestelar composta basicamente de H. Este colapso leva a Nuvem à contração, de modo que as regiões centrais vão progressivamente aumentando em densidade e temperatura, até que, num dado momento, o nível de densidade e temperatura chega ao mínimo para iniciar a produção de energia nuclear via fusão nuclear – neste ponto a Estrela sai da fase Proto-Estelar e entra na Seqüência Principal. Nessa altura da evolução a região central já está, desde há muito, em equilíbrio hidrostático, e aumentou sua densidade com a matéria das regiões mais externas da Nuvem Interestelar, que, não estando em equilíbrio, continuaram a cair em direção à Proto-Estrela; a energia é parcialmente perdida por processos de radiação. A energia na fase Proto-Estelar é emitida basicamente na região do infravermelho, pois a temperatura superficial é T_{surf} \approx 10^3 K .

Para massas < 0.08M_\odot a densidade jamais chega a ser alta o suficiente para que haja a ignição da queima do H, o que leva tais Estrelas a tornarem-se Anãs Marrons. Após a ignição do H a Estrela entra na fase Seqüência Principal, na qual permanece a maior parte de sua vida. O tempo de permanência de uma Estrela na Seqüência Principal é dado por t_{sp} \propto M/L , onde, pela massa-luminosidade, temos L \propto M^n , com n \sim 3 , de modo que t_{sp} \propto M^{-2} . Em outras palavras: quanto mais massiva é uma Estrela, menos tempo ela permanece na Seqüência Principal, pois consomem o H mais rapidamente que as menos massivas.

Produção de Energia e Estrutura Solar

A estrutura do Sol é como a estrutura de qualquer Estrela. De “dentro pra fora”, temos: (1) - Núcleo, (2) - Zona Radioativa, (3)- Zona Convectiva, (4)- Fotosfera, (5)- Cromosfera, (6)- Corona. Vemos, na imagem, ainda, alguns fenômenos que ocorrem na superfície do Sol: (7)- Manchas Solares, (8)- Grânulos, (9)- Proeminências.

O núcleo solar apresenta as seguintes características: seu raio é de R \approx 0.02 R_\odot ; sua densidade é de p \approx 150.000 kg/m^3 ; sua temperatura orça em torno de T \sim 15.7 \times 10^6 K . Nele se processa a fusão nuclear do H em He, através da Cadeia Proton-Proton, que, a cada segundo, converte cerca de 3.7 \times 10^{38} núcleos de H em núcleos de He, o que leva a uma taxa de produção de energia \approx 3.83 \times 10^{26} W , ou 9.15 \times 10^{10} mega toneladas de TNT por segundo! Parte dessa energia é carregada pelos neutrinos. Mais precisamente, para a Cadeia Proton-Proton 1, temos uma produção de energia transportada pelos neutrinos da ordem de 0.5 MeV , sendo que o resto – 26.2 MeV – não é transportado pelos neutrinos. Para a Cadeia Proton-Proton 2 temos um valor de 1.00 MeV para a energia transportada pelos neutrinos, com um resto de 25.7 MeV . E para a Cadeia Proton-Proton 3 temos um valor de 7.4 MeV para os neutrinos, com um restante de 19.3 MeV . Ora, se nós somarmos o total de energia das três Cadeias Proton-Proton, notaremos que a energia total sempre será de \Delta E = 26.7 MeV , o que não é coincidência, e cujo porquê será abordado em outra postagem – assim como a diferença entre as três Cadeias.

A zona convectiva apresenta as seguintes características: seu raio é de R = 0.25-0.7 R_\odot , sua temperatura varia entre 2-7 milhões de K e sua densidade varia de 20-0.2 g/cm^3 . O campo magnético do Sol tem sua origem na zona convectiva, pelo movimento das correntes elétricas. A energia produzida no núcleo e liberada em forma de luz e calor passa cerca de um milhão de anos na zona convectiva, pelo fato de ser constantemente absorvida e reemitida logo em seguida. Por isso, e considerando os oito minutos que a luz do Sol leva a chegar até nós, podemos saber com segurança que a luz e o calor que enxergamos e sentimentos num dado momento teve sua origem no núcleo do Sol há cerca de um milhão de anos!

A zona convectiva apresenta as seguintes características: seu raio é de cerca de 200.000 km – 70\% R_\odot – e sua temperatura, na camada superior orça em torno de 5.700 K e apresenta uma densidade menor que a da água, da ordem de 0.2 g/m^3 – cerca de \frac{1}{10.000} da atmosfera terrestre ao nível do mar.

A fotosfera solar apresenta uma temperatura de cerca de 6.000 K e sua densidade de partículas é de \sim 10^{23} m^{-3} , ou seja, cerca de 1\% da densidade da atmosfera terrestre ao nível do mar.

Por fim, temos a atmosfera solar, também chamada corona. Ela tem sido objetivo de estudos contínuos pelos Astrofísicos por apresentar uma característica singular: a temperatura dela é imensamente maior do que a da superfície do Sol, o que vai contra todo o nosso senso do comum: quanto mais afastamos a mão da superfície da boca de um fogão, mais cai a temperatura – mas não é o que acontece com a corona: estando acima da superfície, tem uma temperatura que varia entre 1-20 milhões de K! Há, até hoje, três propostas para resolver este problema, que discutiremos em detalhes em postagens futuras; são elas: 1- Chuva Solar; 2- Nano-flamas Solares; 3- Ondas Magnéticas Alfvén.

Principais Características

Além das características estruturais já apresentadas, o Sol tem muitas outras que devem ser conhecidas, como rotação e velocidade orbital, campos magnético e gravitacional, composição química, dentre outros. Veremos algumas agora.

Podemos de início ficar pasmados de que a rotação do Sol não é a mesma em todo o astro: isto se dá pelo fato de que o Sol não é um corpo rochoso e firme, mas sim composto de plasma – gás altamente ionizado: um quarto estado dos muitos estados físicos em que a matéria pode se apresentar. Portanto, ao medir a rotação do Sol constatamos que há, basicamente três períodos básicos: no equador (25 dias), nos pólos (34 dias)  e aos 16° de latitude (25 dias e 9 horas), sendo que o período médio é de 25 dias.

Quando sabemos que o Sol é uma esfera de gás ionizado e incandescente somos levados a perguntar o porquê de esse gás não se dissipar ao espaço. Isso acontece por causa da Gravidade e da pressão interna da Estrela, que a mantém em equilíbrio hidrostático. Basicamente, esse equilíbrio acontece quando as forças gravitacional e de pressão são equivalentes em força: ora, como são forças em sentido contrário, ao se igualarem criam a condição de equilíbrio necessária à existência da Estrela. A força gravitacional à superfície do Sol é G = 27.94 , ou seja: 28 vezes mais forte que a Gravidade terrestre! Com isso, a velocidade de escape fica da ordem de V_{e} = 617.7 km/s . O campo magnético solar também é extremamente forte.

Nossa Estrela, como qualquer Estrela, descreve uma orbita em torno do núcleo galáctico. A velocidade de translação do Sol em torno do núcleo é de \sim 220 km/s , e sua distância do núcleo é de \sim 2.5 \times 10^{17} km , ou 26.000 Anos-Luz. Com isto, o período de translação do Sol é de 2.25-2.50 \times 10^8 anos, o que equivale a cerca de 225-250 milhões de anos. Ao longo de seus bilhões de anos de idade, o Sol já realizou cerca de 25 voltas em torno do núcleo galáctico.

O Sol é uma Estrela tipo G, tem uma massa M \approx 1.9891 \times 10^{30} kg (333.000 vezes a massa da Terra), um volume V \approx 1.412 \times 10^{18} km^3 (1.300.000 vezes o volume da Terra), uma luminosidade L \approx 3.846 \times 10^{26} , e dista 150 milhões de km da Terra, com uma magnitude absoluta de 4.85.

Sua composição química é a seguinte: H = 73.46 \% , He = 24.95 \% , O = 0.77 \% , C = 0.29 \% , Fe = 0.16 \% , S = 0.12 \% , Ne = 0.12 \% , N = 0.09 \% , Si = 0.07 \% , Mg = 0.05 \% . Esses valores são obtidos através da análise espectroscópica, i.e., decomposição da luz através de um espectroscópio, seguida da análise dos dados carregados pela luz.

Evolução Solar pós-Seqüência Principal

Como vimos anteriormente, o Sol está na fase de Evolução Estelar que chamamos Seqüência Principal. Ele ainda estará nesta fase por mais uns 4.5 bilhões de anos. Após isso, seu futuro e evolução dependerão de sua massa final. A massa final de uma Estrela depende basicamente de sua massa inicial, pois durante a sua longa trajetória evolutiva uma Estrela perde muita massa, principalmente devido aos ventos solares, e o Sol, como Estrela normal que é também tem seu mecanismo de perda de massa, embora em seu caso a perda de massa não se dê de forma tão intensa quanto, por exemplo, no caso de uma Estrela Wolf-Rayet.

Basicamente podemos dizer o seguinte: para massas iniciais 8 M_\odot teremos massas finais até 1.4 M_\odot , e o Sol está incluído neste caso. Como toda a vida de uma Estrela, do nascimento à morte, depende de sua massa, podemos concluir que o Sol, na fase pós-Seqüência Principal, aumentará consideravelmente seu raio, que não dificilmente chegará mesmo até aqui na Terra, e assim, como Gigante Vermelha, ficará por alguns bilhões de anos. Nessa fase ele terá esgotado todo o seu H, e estará, então, gerando energia através da queima do He, que tinha sido criado durante a queima do H e armazenado para uso posterior. O He, então, é queimado e transformado em C, que por sua vez também é estocado.

Após a queima do He o Sol entrará em colapso e explodirá, lançando ao espaço a maior parte de seu material. O núcleo solar, porém, se manterá intacto, denso, quente, pequeno: uma Anã Branca terá surgido como resultado final do colapso do Sol. Anãs Brancas têm um tempo de vida maior que a idade do Universo: levam trilhões de anos para perderem toda a sua luz e calor, e se transformarem em Anãs Negras. Esta, de forma básica, será a condição do nosso Sol nos bilhões de anos futuros.

Bibliografia

- Introdução à Estrutura e Evolução EstelarWalter J. Maciel.

O Sistema Solar – O Nascimento do Sistema Solar

sexta-feira, 1 janeiro 2010 13 comentários

Introdução

Desde a infância sabemos algo sobre o Sistema Solar, onde fica o nosso Planeta Terra. Mas até onde o conhecemos de fato, e até onde o que ouvimos sobre ele é verdade? Muitas estórias que ouvimos na infância não estão de acordo com a realidade dos fatos: Estrelas Cadentes não são Estrelas de fato, por exemplo, e o Sol não é uma das maiores Estrelas de nossa Galáxia – muito pelo contrário, ele é uma das mais comuns.

Muitos sequer conhecem a estrutura básica de nosso Sistema Solar, que nos possibilita a vida e, até hoje em dia, é o único local conhecido a abrigar vida de fato, aqui na Terra, e o único local que está em condições de abrigar vida, mesmo que microbiana, como em Marte, Europa e Titã.

Este artigo abordará toda a Astrofísica do Sistema Solar: quando e como surgiu, porque tem a configuração que tem, quais são os seus componentes, qual a sua estrutura, qual o seu destino?

Para tanto dividirei o artigo em algumas partes, que serão organizadas da seguinte forma: 1- O nascimento do Sistema Solar (tratando sobre quando e como ele surgiu e se estruturou); 2- O Sol (contendo dados sobre ele, bem como problemas em aberto, como o da Corona Solar Superaquecida); 3- Os Planetas Internos (contendo uma descrição de todos os Planetas Rochosos); 4- O Cinturão de Kuiper (tratando sobre Asteróides); 5- Os Planetas Internos (contendo detalhes sobre os Planetas Gasosos); 6- Planetas Anões, Nuvem de Oort e além (tratando sobre Planetas Anões, Cometas e sobre as fronteiras do nosso Sistema Solar).

A Estrutura do Sistema Solar

O Sistema Solar, como o próprio nome diz, é um Sistema Físico onde o Sol, nossa Estrela, é não só o centro desse Sistema, mas também o responsável por manter todo ele coeso e unido: sem a imensa Força Gravitacional do Sol não haveria órbitas, por exemplo: os Planetas, Asteróides e Cometas que compõem o Sistema Solar simplesmente seguiriam em linha reta indefinidamente, ou até serem aprisionados por algum corpo celeste com Gravidade suficientemente forte. O tamanho do Sistema Solar depende de qual referência usamos: caso for em termos de até onde a Força Gravitacional do Sol é influente, então podemos ter uma aproximação de cerca de 150.000 U.A – 1 U.A equivale a 150 milhões de quilômetros –, ou 2 Anos-Luz – Ano-Luz não é uma medida temporal, mas métrica: é a distância em que a luz, viajando a 300.000 km/s (ou c) leva um ou quantos anos for especificado pelo número precedente para percorrer. Caso seja escolhida a Nuvem de Oort, então teremos um resultado de cerca de 50.000 U.A. As Sondas Voyager 1 e 2 e Pioneer 10 e 11 já estão se aproximando das fronteiras finais do nosso Sistema Solar, pois estão no final da Heliosfera dele.

Depois do Sol temos os oito Planetas: na parte interna do Sistema, ou seja, na parte mais próxima do Sol, temos os quatro Planetas Rochosos: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Na parte externa, mais afastada, temos os quatro Planetas Gasosos: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Havia, também, outro objeto, que por muito tempo foi considerado um Planeta: Plutão. No entanto, após uma análise prolongada e cuidadosa chegou-se à conclusão de que suas características eram de um Planeta Anão, tais como não ter “limpado” sua órbita. Planetas Anões não devem ser confundidos com Cometas, Asteróides ou Satélites – estes últimos têm características bem diversas, que lhes são próprias. Atualmente estão plenamente identificados como tais 5 Planetas Anões: Ceres, Plutão, Haumea, Makemake e Éris, sendo que, destes, Ceres está próximo dos Planetas Internos, entre Marte e Júpiter, no Cinturão de Kuiper; os demais estão além da órbita de Netuno, no que chamamos de Disco Disperso.

Entre os Planetas Internos e Externos há uma espécie de fronteira, que chamamos de Cinturão de Kuiper, nome dado em homenagem ao Astrônomo Gerard Kuiper: basicamente ali se concentram os milhões de Asteróides do nosso Sistema. Ali, além de Ceres, um Planeta Anão, estão alguns objetos muito famosos, como 4 Vesta, 2 Palas 3 Juno e 10 Hygiea. 4 Vesta é o segundo Asteróide mais massivo, com um diâmetro de cerca de 530 km; 2 Palas tem um diâmetro de cerca de 530-565 km, mas é 20% menos massivo que 4 Vesta; 3 Juno foi o terceiro Asteróide descoberto, em 1 de Setembro de 1804; 10 Hygiea tem um diâmetro de cerca de 350-500 km, sendo o quarto maior objeto na região.

Além dos Planetas e Planetas Anões Externo existe o que chamamos de Nuvem de Oort, nome dado em homenagem ao Astrônomo Jan Oort: uma espécie de Nuvem esférica: basicamente é uma região onde abundam trilhões de Cometas, todos com órbitas em torno do Sol, obviamente. Alguns dos objetos mais famosos dessa região são Sedna e 1P/Halley. Sedna é um possível candidato à Planeta Anão; Halley é seguramente o Cometa mais famoso da História e seu período orbital é de 76 anos.

Os objetos do Disco Disperso e da Nuvem de Oort são comumente chamados de Objetos Trans-Netunianos (em Inglês: TNO – Trans-Neptunian Objects).

Origem do Sistema Solar

O Sistema Solar surgiu há cerca de 4.5-4.6 bilhões de anos: é o que nos revela com absoluta precisão algumas técnicas Geológicas e Astronômicas, como a Datação Radiométrica.

Havia por aqui uma Nuvem Molecular Gigante, composta basicamente por Hidrogênio, que acabou colapsando gravitacionalmente devido a ondas de choque. Essas Nuvens têm um diâmetro de até 100 Anos-Luz (9.5 \times 10^{14} km), massa altíssima, da ordem M \approx 6.000.000 M_\odot , em oposição a uma densidade muito baixa, da ordem p \approx 100P/cm^3 , onde P são as partículas; a temperatura inicial delas também é baixa, da ordem de 10K.

Após o colapso gravitacional – que analisaremos em um artigo específico – a Nuvem passou a rotacionar, se contraiu e fragmentou: em seu centro formou-se uma Proto-Estrela, e em suas bordas Proto-planetas. A Proto-Estrela, com o passar do tempo, foi ganhando temperatura e luminosidade, até que, em dado momento, tendo a massa inicial necessária – cerca de M = 8 M_\odot –, começou a produzir energia via Fusão Nuclear e entrou na fase da Evolução Estelar que denominamos Seqüência Principal. Por essa época os Proto-Planetas também completaram sua evolução inicial e tornaram-se Planetas de fato.

No entanto, sobre este ponto, convém solucionar uma curiosidade: o porquê de o nosso Sistema Solar ser configurado da forma como ele é, ou seja, Corpo Gasoso (o Sol) \rightarrow Corpos Rochosos (Planetas Internos) \rightarrow Corpos Gasosos (Planetas Externos). Na fase Pré Seqüência Principal o Proto-Sistema Solar tinha diversas temperaturas: quanto mais próximo da Proto-Estrela mais quente, de modo que, na parte externa do disco de acresção criado em torno dela a temperatura orçava em torno de 400K, ao passo que na parte interna a temperatura era de cerca de 1000K. Isto fez com que as partículas não-metálicas – em Astronomia qualquer partícula mais pesada que o Hélio é considerada “metal” –, que têm um uma temperatura de ebulição menor do que as partículas metálicas caíssem em direção à Proto-Estrela, tornando a parte interna do disco de acresção predominantemente composta por partículas metálicas. Usando uma analogia imprecisa podemos dizer que isso acabou criando como que um escudo que impediu as partículas não-metálicas que estavam na borda externa de caírem também rumo à Proto-Estrela. Ora, quando a evolução inicial do Sistema Solar estava findada e ele havia entrado, junto com o Sol, na fase Seqüência Principal, tivemos a consolidação desse Sistema interessante, no qual entre dois montes de corpos predominantemente Gasosos há, também, um conjunto de corpos predominantemente Rochosos.

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